O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, repercutiu, em suas redes sociais, a nota C recebida pela gestão da prefeita Emília Corrêa na avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag), índice medido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
O indicador é o principal parâmetro utilizado para analisar a situação fiscal dos entes públicos e permite que aqueles mais bem classificados obtenham empréstimos com garantia da União.
“Deixei a gestão com nota A+, a melhor do índice de avaliação, fruto de organização fiscal e responsabilidade com as contas públicas. Essa credibilidade permitiu que a cidade conquistasse cerca de R$ 300 milhões em investimentos junto ao BID e mais de R$ 500 milhões com o Banco dos BRICS, viabilizando grandes obras estruturantes. Inclusive, deixei as contas públicas no azul, com R$ 600 milhões em caixa para a continuidade desses investimentos, ao final de 2024”, afirmou Nogueira.
Economistas consultados pelo Cordel Notícias informaram que, a partir de agora, a gestão de Emília Corrêa até poderá contratar empréstimos para investimentos, porém com taxas de juros mais elevadas e sem a garantia da União.
Outro lado
Por meio de nota, a Prefeitura tenta atribuir a responsabilidade à gestão de Edvaldo Nogueira, mas não justifica os gastos considerados exorbitantes que levaram à obtenção de uma nota tão baixa, patamar que nunca foi alcançado durante a administração do ex-prefeito.
Inicialmente, é importante esclarecer que, diferentemente do que foi afirmado pelo ex-gestor da capital, Edvaldo Nogueira, em suas redes sociais, a classificação da CAPAG no momento em que a atual gestão assumiu não era A+, mas B, conforme registros oficiais do próprio sistema da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
Em relação aos componentes que integram a metodologia da CAPAG, destaca-se que apenas o indicador de Liquidez apresentou redução, passando de 0,07% em 2024 para -2,39% em 2025.
Essa queda ocorreu, principalmente, em razão das Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) herdadas da gestão anterior, que totalizaram R$ 107.176.081,48 e foram quitadas pela atual administração.
Ressalte-se que, caso essas despesas tivessem sido devidamente registradas no exercício financeiro de 2024, o Município já teria recebido, naquele período, a classificação C no referido indicador, refletindo de forma mais fiel a realidade fiscal da época.