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Morte de brasileiros expõe rotina de ataques no Líbano, diz jornalista

Rafael Ramos
28/04/2026
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7 Min Leitura
Morte de brasileiros expõe rotina de ataques no Líbano, diz jornalista
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Conteúdo
Notícias relacionadas:Brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo PessoalAtaques israelenses contra o Líbano


Logo Agência Brasil

A brasileira Manal Jaafar e seu marido, o libanês Ghassan Nader, que morreram em ataque israelense ao sul do Líbano no último domingo (26), estavam no país em busca de uma vida melhor e mais estável para a família, depois de passar 12 anos no Brasil. 

O casal tinha dois filhos brasileiros. Um deles, de 11 anos, também morreu no bombardeio. O outro filho do casal estava no local, mas sobreviveu e foi hospitalizado.

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“A gente recebeu a notícia com muito sofrimento e muita tristeza. É essa notícia que a comunidade [libanesa] recebe todos os dias sobre familiares, parentes e amigos. O Líbano já perdeu mais de 2,5 mil vítimas. A grande maioria são civis, não tem nada a ver com essa guerra, não tem culpa nenhuma”, disse o jornalista libanês Ali Farhat, que era amigo de Ghassan Nader.


28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - A brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - A brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
Brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal

Ele afirmou que a notícia foi recebida pela comunidade libanesa com muita decepção e que o caso revela o sofrimento de tantos outros parentes e amigos que moram nas áreas de guerra. A família da brasileira Manal chegou a deixar a residência por conta dos ataques, mas havia retornado por conta do cessar-fogo que estava vigente.

Farhat classificou como massacre os ataques israelenses ao povo libanês. “Israel está bombardeando a geografia do Líbano, a memória do Líbano, mesquitas, cemitérios, casas civis. Não tem nenhum ponto protegido no sul do Líbano, tampouco na capital Beirute. Israel está tentando praticar o genocídio parecido com o que praticou na Faixa de Gaza”, ressaltou o jornalista à Agência Brasil.

Farhat contou que a família de Ghassan e Manal fez parte da comunidade libanesa em Foz do Iguaçu (PR), onde eram bastante queridos. Na última conversa entre eles, antes de deixar o Brasil, Ghassan falou que a família queria se estabelecer no Líbano.

“O plano dele era fazer uma vida estável no Líbano, com a renda que ele tinha conseguido [trabalhando no comércio aqui no Brasil]. Ele queria cuidar mais da vida dele e da família dele, queria fazer algo bem leve para conseguir dar mais tempo para os estudos e para a vida social”, contou Farhat, que vive no país há 25 anos e integra a comunidade libanesa em Foz do Iguaçu.

O jornalista relatou que Ghassan gostava de pesquisar, fazer artigos e que não tinha envolvimento em questões de governo nem militares. “Eles moravam aqui de 1998 a 2010, mais ou menos. Eu conheci eles aqui, ele tinha feito um livro sobre a crise da economia global, eu tinha entrevistado ele, e a gente teve uma relação de amizade”, disse.

“Ele era um empresário aqui e era um ativista na comunidade libanesa, ativista humanitário, participava dos eventos sociais. Ele era uma pessoa intelectual, uma pessoa culta, sabia muito da área cultural e da área econômica. Ele era bem conhecido aqui na comunidade e todo mundo gostava dele”, mencionou.

Ataques israelenses contra o Líbano

O Líbano tem sofrido ataques israelenses, no contexto da ofensiva promovida por Estados Unidos e Israel contra países da região. Foi um desses ataques israelenses que matou a família em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano. A informação foi confirmada na noite de segunda-feira (27) pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

“O bombardeio israelense não diferencia entre militares e civis. E, sem aviso nenhum, eles estão atacando cidades, casas. Os números do Ministério da Saúde do Líbano indicam que a grande maioria são civis. O caso de Ghassan e sua família é de pessoas civis que estavam em casa quando ela foi bombardeada, como muitas famílias”, disse Farhat, que mora há 25 anos no Brasil e tem parentes vivendo no Líbano.

Melina Manasseh, que também pertence à comunidade libanesa brasileira e integra a Federação Árabe da Palestina no Brasil, avalia que a atual ocupação israelense no Líbano se dá nos moldes do que acontece na Palestina. “Fiquei muito triste em saber que essa família com brasileiros foi ceifada, assim como tantas outras, dada a política bélica expansionista de Israel.”

“Não é a primeira vez que um brasileiro é morto pelas forças da ocupação. Israel nunca cumpriu uma única resolução da ONU quanto à Palestina e ocupou de forma militar o sul do Líbano por 18 anos. A ocupação militar não é a mesma que hoje se preconiza. Essa ocupação de hoje é a mesma que se dá na Palestina, ocupação de assentamento”, disse. 

Manasseh, que tem familiares vivendo no norte do Líbano e em Beirute, diz que a notícia da morte dos dois brasileiros não levou, no entanto, à grande mobilização da comunidade a sua volta. 

“Os libaneses são, assim como os palestinos, orgulhosos e otimistas. Sempre acham que em breve irá passar. Infelizmente, a diáspora libanesa, que conta com 9 milhões de descendentes no Brasil, não se organiza o suficiente”.

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